IA apoia. Mas a advocacia, de verdade, continua sendo humana

Este é o primeiro texto deste blog. Talvez, não houvesse tema melhor para começar.

Em tempos de inteligência artificial, automação e promessa de soluções cada vez mais rápidas, uma afirmação feita recentemente pelo presidente da OAB, Beto Simonetti, merece atenção: “a IA pode apoiar a advocacia, mas jamais substituir o advogado” (https://www.migalhas.com.br/quentes/457145/ia-pode-apoiar-mas-jamais-substituir-advogado–diz-simonetti).

Segundo ele, a Justiça não cabe em um algoritmo, porque o Direito não lida apenas com dados, mas com vidas, histórias, patrimônio, liberdade e dignidade.

Concordo.

A tecnologia é bem-vinda. Ela organiza informações, acelera pesquisas, reduz tempo de tarefas e pode tornar o trabalho jurídico mais eficiente.

Eu mesmo reconheço seu valor e acredito no uso responsável dessas ferramentas. Mas há um limite que não pode ser ultrapassado: nenhuma máquina substitui a escuta, o discernimento, a responsabilidade e a consciência de quem advoga.

Quem vive a advocacia no mundo real sabe que processo não é só número.

Atrás de cada ação existe uma família em conflito, um trabalhador em sofrimento, um idoso vulnerável, uma criança precisando de proteção, um patrimônio construído com sacrifício, uma pessoa esperando justiça. E é justamente aí que a técnica precisa caminhar junto com humanidade.

Minha proposta com este blog é exatamente essa: refletir sobre o Direito a partir da vida como ela é, sem perder a técnica, sem abrir mão da sensibilidade e sem transformar a advocacia em produção automática de respostas prontas.

Se a inteligência artificial pode ser uma ferramenta útil, ótimo. Mas a advocacia que eu acredito — e procuro exercer todos os dias — continua sendo feita por gente, para gente.

Seja bem-vindo a este espaço.

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